Uso de CBD durante a gravidez e amamentação

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Muitos pais entram em contato conosco querendo saber se existem riscos associados ao consumo de Canabidiol ou CBD durante a gravidez. Infelizmente a resposta ainda não é definitiva. As pequisas sobre o uso do CBD na gestação são extremamente limitadas, porém vamos discutir o que os pesquisadores sabem até então.

A preocupação com uso pré e pós-natal de canabis

Todas as substâncias ingeridas durante a gravidez, sejam alimentos ou medicamentos, influenciam o desenvolvimento do bebê. Mulheres grávidas sabem da importância de seguir uma rotina de alimentação saudável e evitar todo tipo de toxina quase que instintivamente. Estes cuidados estimulam um bom desenvolvimento do cérebro do feto e um peso corporal saudável na hora do parto, reduzindo o risco de problemas no nascimento.No entanto, afirmar categoricamente como ou se o consumo de canabis influencia no desenvolvimento do bebê ainda tem pouco respaldo científico. As pesquisas realizadas até então são limitadas e não ofereceram conclusões definitivas.Apesar dos estudos sobre a segurança do uso de canabis durante a gravidez serem insatisfatórios, os pesquisadores sabem que os fetos têm a capacidade de interagir com os compostos naturais encontrados na planta.Isso acontece porque o sistema endocanabinoide se faz presente desde os primeiros estágios embrionários. Os canabinoides da planta de canabis interagem com o corpo através do sistema endocanabinoide – uma rede sinalizadora formada pelos receptores CB1 e CB2. Investigadores descobriram que estes receptores já se encontram ativos em embriões.

Os cuidados com o uso de CBD durante a gravidez

O sistema endocanabinoide

A canabis contém mais de 100 canabinoides diferentes, sendo que os mais abundantes, conhecidos e estudados são o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol). O cânhamo, uma variedade da espécie Cannabis sativa, contém uma grande quantidade de CBD. Este canabinoide não desencadeia psicoatividade e sua interação com os receptores canabinoides não deixam o usuário chapado. Já o THC, o composto mais bem conhecido da maconha, é psicoativo e causa efeitos eufóricos temporários.O sistema endocanabinoide é responsável por manter muitas das funções do organismo e seus processos fisiológicos em equilíbrio. É através dos receptores canabinoides que o CBD suplementa o sistema endocanabinoide apoiando seus esforços em manter o corpo em homeostase. Nos últimos anos, os benefícios que o canabidiol proporciona têm gerado um aumento na demanda por produtos à base de CBD derivado do cânhamo.O sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na geração de uma nova vida. Os canabinoides sintetizados pelo corpo, chamados de endocanabinoides, são cruciais para o desenvolvimento do feto. Todavia, ainda são necessários estudos para descobrir se a interação do sistema endocanabinoide com os canabinoides derivados da planta podem influenciar o processo natural de desenvolvimento fetal.

Comunicação entre receptores canabinoidesComunicação entre receptores canabinoides

É seguro usar CBD durante a gravidez?

Em um feto em desenvolvimento, os efeitos naturais do CBD ainda são muito pouco conhecidos. Devido a restrições legais à canabis, tem sido muito difícil para que pesquisadores estudem minuciosamente os efeitos específicos do uso de CBD durante a gravidez.A maioria dos estudos realizados até então foram feitos com foco nos efeitos do THC. Os poucos estudos que investigaram os efeitos do CBD durante a gravidez foram feitos in vitro (estudo de células) ou com animais.Em um destes estudos envolvendo embriões de camundongos os pesquisadores descobriram que, enquanto o THC prejudicava o desenvolvimento de embriões com menos de 9 células, o CBD não causou qualquer efeito adverso.Outro estudo com animais focado nos efeitos do CBD, THC e CBN (canabinol) em camundongos em estágios iniciais de gravidez, descobriu que o THC estava associado com a autodestruição de células embrionárias, alterações na ovulação e uma baixa taxa de fecundação.Em outro estudo in vitro, no entanto, descobriu-se que a exposição crônica do CBD em um período superior a 24-72 horas pode alterar as características fisiológicas da placenta. Os pesquisadores concluíram que isto pode sugerir que a exposição ao CBD em longo prazo “pode reduzir as funções protetoras da placenta e alterar suas características fisio-morfológicas”. Como resultado do aumento da permeabilidade da placenta, pode ser mais provável que compostos estranhos consigam cruzar a barreira placentária e afetar o bebê.Muitos outros estudos ainda são necessários para estabelecer se existe algum risco reprodutivo associado ao uso do CBD. Como de praxe na medicina, a recomendação nestes casos é sempre a cautela. Consulte seu médico antes de adicionar qualquer substância em sua rotina de tratamento.

Pesquisas com CBD durante a gravidez

Riscos do uso de THC durante a gravidez

Ao contrário de produtos à base de CBD derivados do cânhamo, os que são extraídos da maconha podem conter níveis elevados de THC, o composto psicoativo da planta.Recentemente algumas mulheres têm buscado na maconha um alívio para as náuseas e outros sintomas desconfortáveis associados à gravidez. Um estudo recente indica que o número de gestantes que usa produtos à base de THC tem aumentado.Os médicos alertam que os efeitos do THC na saúde do feto ainda não foram totalmente esclarecidos. Porém, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, algumas evidências sugerem que o THC pode estar envolvido em problemas de desenvolvimento de bebês e um peso abaixo do ideal na hora do parto.Enquanto não há dados suficientes para os especialistas da área médica tirarem conclusões definitivas sobre os riscos associados ao THC durante a gestação, a maioria dos obstetras e ginecologistas desencorajam seu uso.“Devido à preocupação com o comprometimento do neurodesenvolvimento do feto, assim como a exposição da mãe aos efeitos adversos do fumo, as mulheres grávidas ou que estão almejando engravidar devem ser encorajadas a parar de usar maconha”, recomenda o Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas.

A importância do aleitamento materno

Efeitos dos canabinoides no leite materno

Além do desenvolvimento pré-natal, o sistema endocanabinoide também tem um papel relevante após o parto. O fato de o leite materno apresentar canabinoides em sua composição natural é pouco conhecido. Menos ainda se sabe sobre sua função no desenvolvimento de um ser humano.O European Journal of Pharmacology publicou em 2004 um estudo afirmando que todos os seres humanos nascem com receptores canabinoides, sugerindo que os endocanabinoides e seus receptores são cruciais durante o desenvolvimento pré e pós-natal.Em seguida, com base nestas descobertas, os pesquisadores passaram a investigar se os canabinoides poderiam ter a função de estimular recém-nascidos a beber leite. Os resultados desse estudo demonstraram que a ativação dos receptores CB1 é fundamental para a amamentação.Isso quer dizer que o sistema endocanabinoide tem um papel essencial no desenvolvimento do apetite de bebês, quando estão aprendendo a se alimentar. Porém, os endocanabinoides no leite materno não estão relacionados apenas à alimentação. Estes compostos naturais também demonstraram proteger os neurônios do cérebro no desenvolvimento pós-natal.Ainda há muito a ser descoberto em relação aos canabinoides no leite materno. Por exemplo, sabe-se que os canabinoides aderem facilmente à gordura, abundante no leite da mãe. É por isso que os cientistas têm investigado se a exposição à canabis pela mãe durante o período de lactação desempenha algum papel na transmissão de compostos da planta para recém-nascidos. No entanto, este processo está avançando lentamente devido às dificuldades encontradas na análise de canabinoides e gorduras separadamente.

Planta de cânhamo pertencente à espécie Cannabis sativa

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